Ao conhecer a minha orixalidade, que se desvelou ser bara lodé minha cabeça, oxum docô o meu corpo e xangô agodô meu orixá de passagem. Estes três compõem na minha experiencia uma orixalidade de força. Isso me leva a pensar de que preciso começar a manter minha força física para que essa suporte a responsabilidade aricana. Ao conhecer meus orixás, me levou inevitável à busca de informações sobe o mito que cada orixá e o que representa para a cultura de matriz africana. Uma busca de inicio curiosa transformou numa busca ao reencontro do meu ser. Aos poucos e a medida que a intimidade com minha orixalidade foi se desenvolvendo, como por exemplo: fazer a saudação – “alupo” para bará – toda segunda feira que é o dia dedicado a este orixá. Usar vermelho a cor que representa minha cabeça com o intuito de buscar energia para enfrentar alguma situação do cotidiano. Mesmo sem saber se é permitido mas sempre que em algum momento de vida eu precisava de força eu saudava o meu orixá da cabeça. Este processo nasce da busca das informações disponíveis sobre meus orixás e esta busca é no senso comum, na internet. Só que isso não basta para que eu construa a minha identidade eu sinto a necessidade de reviver o mito, de saber porque este orixá se constitui desta forma e o que isso tem relacionado com minha vida, com minhas escolhas e meus caminhos.
O sentimento que tenho é que não só eu pertenço a uma identidade, mas como esta identidade pertence a mim. Que eu não só ganhei um orixalidade, mas que esta está sendo construída. A vaidade é despertada também com a idéia de conhecer os mitos e feitos dos meu orixás. Um processo que caminhará comigo ao longo de minha vida toda. Processo que numa constante me oferece um campo para me repensar e experimentar. Processo que não muito distante na minha cabeça se assemelha ao processo de psicoterapia. Onde a pessoa e favorecida de em algum ponto provocada a pensar novas possibilidades de ser e de existir em seu mundo em relação ao outro.
Pablo Carvalho
CRP:07/202323


